quinta-feira, agosto 23, 2012

Gimme a "C"!!!

Accioly é um jogador brasileiro que joga no Santa _lara. 
Accioly _ome_ou no Esporte _lube da Bahia, e _hegou à Europa pre_isamente por intermédio do _lube a_oriano. 
Accioly joga a defesa-_entral e é um dos esteios da forma_ao mi_aelense. 
_om 31 anos de idade, Accioly _ontinua a pro_urar a letra "C". 

Pede-se en_are_idamente a quem _onhe_er o seu paradeiro, que a entregue na Rua _omandante Jaime Sousa, nº 21, Ponta Delgada. 

Accioly, o defesa-_entral, a_redita piamente que tudo o que o separa de uma _arreira históri_a no futebol luso é pre_isamente esta _urva _onsoante. 

Julgando pela equa_ão anexa, é difí_il _ontrariar essa sua expe_tativa. 



Os votos da equipa _romos da Bola, SAD são de esperan_a e boa fortuna para que Accioly en_ontre a letra que o levará a atingir a _alva eleva_ão a futebolista de ex_ep_ão, pleno de _riatividade, _arisma e _apa_idade de lideran_a.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Pão Que O Diabo Amazou


Diariamente, milhentas cartas e incontáveis e-mails atulham as nossas caixas de correio. São muitos os pedidos, como “já é tempo de ter o Caio Júnior por aqui!”, “exijo uma recontagem das sílabas do Panandetiguiri!” ou “façam amor com as nossas esculturais esposas, por favor!” (este último pedido geralmente acompanhado por um vídeo sugestivo), mas há um pedido em particular que sobressai:

- “Mestres da cromicidade, quem foi o Mazo?”

Pois bem. A confusão é compreensível e Mazo um nome dos mais enigmáticos do futebol português da década de 90. Se procurarmos por “Mazo” no Google Images, o que nos poderá surgir é isto:

Temos aqui o pontapé de saída. Mazo era um centrocampista cuja técnica subtil se assemelhava a um rudimentar martelo de madeira. Mas vós quereis mais que uma simples metáfora, desejais tocar no âmago da questão como Luisões esbaforidos em direcção ao árbitro. Procurando um pouco mais, talvez vos depareis com este simpático senhor:

Pelo aspecto, até podia ser o Mazo que buscáveis. Mas não, este é somente um homónimo bielorrusso do Mazo que vós procurais. Um Mazo filarmónico, um pedagogo transcontinental, um bigode em si bemol. Estamos perto. O Mazo que pretendeis é este, senhores:

Oficialmente, Mazo responde pelo nome de Josemar Araújo Santos e é o tipo da esquerda; pelo sim, pelo não, também colocámos o Danny Trejo, pois podia subsistir a ideia de que o Danny é a versão envelhecida do vigoroso Mazo dos tempos áureos do Estrela da Amadora na Divisão-mor do nosso estimado campeonato.
Tempos áureos… e também tempos geriátricos.

Mazo era conhecido como o pistoleiro de Timbaúba, algures entre Camutanga e Macaparana, lá no Planalto da Borborema, em Pernambuco; Timbaúba, a terra de todos os sonhos, uma Sirinhaém em ponto maior, porém não tão grande quanto Jaboatão dos Guararapes. Ainda jovem, nem com 25 Outonos cumpridos, rubricou em 1994/95 a sua segunda e última época na terra outrora conhecida como Porcalhota (é verdade, até veio n´”Os Maias” e tudo – consultem os vossos Apontamentos Europa-América), completando assim uma torrente de toponímias esquisitas que lhe adocicaram o currículo.
Um benjamim, portanto. Naquele plantel, tal como num certo país atlântico nos dias de hoje, isso era presságio de desgraça. Atente-se nalguns outros bebés daquele plantel: Calado (palavras para quê?); Gil Gomes (é verdade, esse mesmo); João Peixe (primo do Emílio e que representou mais clubes do que aqueles que humanamente conseguiríamos reproduzir num único post); Tico-Tico (um moçambicano que prometia fazer cócegas à grandeza de Eusébio e que, estranhamente, nem sequer ficou para a história pelo inusitado do seu nome); Christian (teve de fugir dali enquanto era tempo mas ainda demorou alguns anos a recuperar do choque) e Paulo Ferreira (provavelmente, o extremo mais anafado de toda a história).
Decididamente, aquele clube não era para novos. A menos que se chamassem Rui Neves. Porque se se chamassem Birame, o mais certo era acabarem a vender artesanato senegalês na feira.
Aquele era o clube de Hubart (o Chilavert à moda da Bélgica), de Rebelo (o eterno estrelista que ainda hoje bateu à porta do Estádio José Gomes a pedir para treinar), do Senhor Bigode (leia-se Agatão) e também de Fonseca, Paulinho, Edmundo, Quim Machado, Fernando e Rui Águas – nenhum deles com menos de 28 anos e alguns com mais de 35 (o Rebelo já devia ir nos 55). Era um plantel com muita tracção defensiva e onde Mazo sentiu inesperadas dificuldades em assentar todo o seu reportório de maus tratos no esférico, certamente inibido pelo fulgor de um Taira, que fazia olhinhos marotos à Selecção, de um Koncalevic que possuía um nome balcânico que abafava aos pontos a singeleza da sua alcunha, ou de um superlativo Mário Jorge, que conseguiu a proeza de assinar pelo Sporting e Benfica sem nunca jogar nenhuma partida pelos dois.

Era o destino a empurrar Mazo para fora da ribalta e Mazo não foi contra o destino. Abraçou-o e, mal saiu da Amadora, desatou a correr clubes que ficassem, de preferência, na confluência dos distritos de Santarém e Portalegre – que, como todos sabemos, sempre produziram futebol condizente com o gabarito de Mazo. Por ali se deixou ficar como treinador. Sucumbiu à voragem dos tempos e disse adeus ao bigode. Agora, pode festejar os títulos distritais que quiser, mas, sem bigode, já não tem graça. O Danny Trejo é que a sabe toda.
Quanto ao Estrela, todos desejamos a sua recuperação. Até mesmo um conhecido galã da nossa praça:

domingo, agosto 12, 2012

Filhote, uma vida cheia de sorte.. e já agora Robson

O Cromos da Bola obteve uma conversa exclusiva com um jogador de futebol.
Tivemos acesso privilegiado no início da carreira de um jogador, pelo que vamos agora partilhar com toda a nossa audiência.

" - Meu filho, meu bebé, desejo-.te uma vida cheia de sorte - diz a mãe.
 - Não, mãe. A vida é trabalho e cada um faz o seu caminho - diz o filho.
 - Sim, filho mas já que te estou a lançar para uma vida, quero que sejas feliz. Que tenhas muito boa sorte no teu futuro.
 - Obrigado mamãe e papai, Deus estará sempre connosco e comigo no caminho. É preciso é levantar a cabeça quando as coisas nao correrem bem.
 - Pois filho, e com a graça de Deus vai ser feliz. Nem que seja aqui em Guanabi.
 - Guanabi, mamãe'? Eu gostava de jogar no União Timbó ou mesmo no Paduano!
 - Quê filho? Paduano?
 - Si, graças a Deus será um bom clube para mim! Lá poderei ter sorte.
 - Mas meu filho, a sorte estará sempre contigo. Mas tens que jogar no Guanambi! quem sabe isso te dará altos voos e jogar na Europa, que é sempre importante.
 - Sim, mamãe. Eu prometo que vou lutar para jogar na Europa. Nem que seja num clube de uma freguesia do Porto, que joga na distrital! Está na Hora! acho que ó nome desse clube é Senhora da Hora.
 -  Muito bem, filhote .Denoto aí ambição e crença e fé e crença e fé , e acreditar.. e fé..e graças a Deus... olha sabes que mais filho Robson?  Robson, Boa Sorte Filho!!"

Pedimos desculpa pela má qualidade de imagem e do som que transmitimos, mas em Guanabim não é fácil!

Bem vindo Robson Boa Sorte Filho.
http://www.zerozero.pt/jogador.php?id=220109&epoca_id=0&search=1



terça-feira, agosto 07, 2012

Vitorino, o Emigrante



"vai devagar, emigrante"
Verão de 2007. 

Brota um dia de sol abrasador na verde Freamunde, e o jovem Vitorino vai ao café do costume ter com os amigos do costume, montado na Casal-Boss do costume.

Um dia normal para o moço, que colocara cuidadosamente o capacete amarelo do Pai na cabeça, de forma a não atrapalhar a acre sensação de paz transmitida pelo SG Ventil pendurado no canto da boca. 

Lá vai Vitorino, filho da terra, estimado por todos, transmitindo carradas de monóxido de carbono para a atmosfera. 


Lá vai Vitorino, inimigo público número um da camada de ozono, cumprimentando todos à sua passagem. 

O Acácio da frutaria, que acena carinhosamente. 
O Sr. Fialho da drogaria, que lhe cospe impropérios derivados da falta de paciência para com o infernal chinfrim vomitado pelo escape da motorizada. 
O Macedo da sala de chuto, que lhe endereça um salutar e bonacheirão "Tudo de bom!" de bochecha rosada. 

Vitorino chega ao café, coloca cuidadosamente uma viscosa bisga no canto do passeio e estaciona a Casal-Boss em cima dos caixotes de fruta. 
"É mesmo à Vitorino", exclamam sorridentes (e babados) os convivas que vegetam à porta do estabelecimento, sinceros admiradores da técnica apurada na arte de endereçar uma bela e consistente bisga enquanto se mantém simultâneamente um SG Ventil repousando nos lábios. 

Vitorino, o orgulho de Freamunde, é abraçado por todos e cumprimentado com os mais doces impropérios (e simpáticas referências à idoneidade de sua Mãe), sinal do mais belo e sincero male-bonding. 

Nisto, o Hino da Alegria enche o estabelecimento - em versão midi. 

É o alcatel do Vitorino, que toca impaciente. O jovem saca da pequena bolsinha preta CK pendurada ao cinto e leva o aparelho à boca. 
Segue-se um alegre porém digno "Atão, caralho?" 

Mas cedo se dissolve o ar casual de Vitorino. 
O sobrolho franze-se em tom de atenção redobrada. 
Adopta um semblante sério, profissional. 

Algo se passa. 

Os convivas em seu redor ignoram-no, viram a sua atenção para o novo videoclip da Ana Malhoa, que agracia os ecrãs da TV do café, obra e graça do Made in Portugal.
Vitorino retorque à chamada telefónica em staccato de tom afirmativo e expectante. 
- "tá bem, caralho", são as últimas palavras docemente proferidas pelo jovem antes de voltar a guardar o telemóvel na sua bolsinha de cinto Louis Vuitton. 

Sem expressão na ruborizada face, Vitorino caminha em direcção ao inerte grupo ainda fixado nos atributos da filha de José Malhoa. 
- "Bou pró caralho mais belho", afirma com a costumeira suplesse. 

O inesperado anúncio cai em saco roto, dado o fascínio do bando com as saltitantes insígnias da jovem artista de variedades na TV. 

- "Bou pró caralho mais belho!!!!!!", vocifera novamente Vitorino na tentativa de chamar a atenção da horde. 

Faz-se silêncio. Aliás, a TV estivera em mute todo este tempo. 

- "Para onde, caralho?", indaga expectante o mais anafadito do grupo, um senhor de meia idade de t-shirt branca com a inscrição "Freamunde Quase Capital do Móvel". 

- "Sei lá. O gajo disse Roma. Onde é essa merda, caralho?", questiona gentilmente o jovem, ainda semi-abananado com a notícia. 


"Io sono spettacolare"
Instala-se a confusão. Cada cabeça, sua sentença. 

Porém, a conclusão é quase unânime, e solenemente transmitida pelo Zé Coxo, jovem trintão de boné JCA ofertado pelo Zé Mota no final de um inesquecível Paços 1 - Ovarense 1 em 2004. 
- "Oube lá, Bitorino...essa merda é no estrángeiro." 

A notícia atinge o mancebo como uma carícia matrimonial do Paco Bandeira: 
- "Eu? No estrángeiro? Mas a única bez que fui ao estrángeiro foi quando fui jogar com o Freamunde à Lixa", asseverou um Vitorino confuso com a geografia nacional. 

- "Ouvi dizer que no estrángeiro as pessoas têm 3 metros de altura e cabelo verde", afirmou cauteloso o senhor anafado. 

Perante o ar cada vez mais assustado de Vitorino, o tipo mais magrinho do grupo - conhecido por ser o habitante de Freamunde com a maior colecção de postais do Bozinoski de férias - pôs água na fervura. Eis Quim Cowboy, boçal e roufenho: 
- "Caro amigo, excelentíssimo colega de viagem na sinuosa auto-pista da vida. Peço mil perdões por interromper esta salutar tertúlia de cariz geográfico, porém penso ter informações relativamente ao paradeiro de tal metrópole. Assevero-o de forma absolutamente humilde e despretensiosa, dado que a máxima socrática "só sei que nada sei" se mantém curiosamente actual. Todavia, creio que vos referis à Pátria de Vittorio Emanuelle II." 

O silêncio torna-se ensurdecedor, apenas quebrado pelos súbitos urros do confuso bando. Zé Coxo enrola-se em posição fetal, agarrado à cabeça. Toni Viagra esmaga cadeiras na parede, qual incrível Hulk tomado de fúria. Dois dos restante convivas berram desesperados, enquanto estilhaçam garrafas de RC Cola na testa. 

Contudo, Vitorino fita Quim Cowboy de olhos arregalados e tom sereno, exortando-o afectuosamente a desenvolver o tema abordado: 
- "Oube lá, queres levar um testo na fronha? Fala português, caralho." 

Quim Cowboy ajeita nervoso o chouriço que guarda no bolso da camisa Fabio Lucci, beija sofregamente o cromo de Pesaresi que traz sempre consigo na carteira, e solta um ansioso "Itália". 

- "Ô?", indaga sagazmente Vitorino. "A cena das pizzas?" 

- "Certamente, camarada. A Itália, oficialmente denomeada República Italiana, é uma república parlamentar unitária localizada no centro-sul da Europa. Ao norte, faz fronteira com FrançaSuíçaÁustria e Eslovénia ao longo dos Alpes. Ao sul.." 

A grosseira exposição de Quim Cowboy é felizmente interrompida por uma garrafa de Snappy que encontra ruidosamente a parte de trás do seu crâneo. 

Vitorino dirige-se calmamente para a saída, enrolando um pensativo elástico entre os dedos, de olhar fixo no chão. A sua vida está prestes a mudar. 
O jovem cantarola entredentes as primeiras estrofes da melodia "Sonhos de Menino", de Tony Carreira. 

De semblante sonhador, ergue suavemente o queixo e balbucia com elegância: 
"Sou um emigrante, caralho." 

Cinco Verões volvidos, Vitorino está de retorno à casa de partida. 
Roma ficou para trás, e os sonhos adiados. Na caçadeira futebolística carrega agora as memórias de tiros disparados na prestigiosa Liga dos Campeões da UEFA, carrinhos mal temporizados em San Siro, passes transviados no Delle Alpi e um olhar crítico in loco à crise da dívida grega. 
Pelo meio, um "buenos dias Matosinhos" com os "aviões lá 'trás" e a indignidade do clube detentor de seu passe ter pago 270,000 € para se livrar dele por uma época. 

Verão de 2012. 

Brota um dia de sol abrasador na verde Freamunde, e o jovem Vitorino vai ao café do costume ter com os amigos do costume, montado na Casal-Boss do costume. 
Um dia normal para o moço, que coloca cuidadosamente o capacete amarelo do Pai na cabeça, de forma a não atrapalhar a acre sensação de paz transmitida pelo SG Ventil pendurado no canto da boca, e sussurra sorridente: 

"Estou de volta, caralho." 

quarta-feira, julho 18, 2012

Bacalhau à Búlgaro

1992/1993...
O Desportivo de Chaves está na I Divisão, treinado por Henrique Calisto
Uma equipa aguerrida com jogadores como Makukula, Karoglan, Omer no ataque.
Depois na defesa Paulo Lima Pereira, Paulo Henrique, o conhecido Filgueira! Ainda Lino, eterno defesa esquerdo flaviense.
E no meio campo, quem pontifica no Meio campo???
Bakalov! sim, esse mesmo, BAKALOV!! Não, a doença mental que tenho nao me troca assim tanto as letras na mesma frase... BAKALOV!
Naquele ano havia um outro jogador, sósia de nome... chamado BALAKOV! Sim, eu disse Balakov.
Krassimir Balakov, um dos nº10 com mais classe que passaram o seu perfume pelo odor dos relvados portugueses (mesmo aqueles relvado que cheiaravam a bosta...)
E nada mais arrojado para moralizar do que ter um BALAKOV, mas BAKALOV.
É uma espécie de mistura entre Balakov e um Bacalhau Búlgaro...
Este bacalhau é também búlgaro, pois claro. e Jogou ainda no Botev Plovdiv, esse clássico da Riviera Búlgara.

Obrigado Bakalhov pelos teus 12 jogos na Liga Portuguesa. Obrigado Bakalhov pelo teu golo ao Vitóri de Guimarães.
Deixaste marcas Bakalhov.. tal como o bacalhau no natal as deixa.. apenas uma noite!

Curiosamente há um site que diz que Na grande equipa do CSKA Sofia de 1989/90 que foi às meias finais da Taça dos campeões, o pulmão do meio campo é...BAKALOV. Numa equipa em que pontificavam no ataque Hristo Stoichkov e Kostadinov. Portanto, BAKALHOV alimentava, tal como no Natal, e bem , a sua família.

Bakalov na sua pose como treinador atual do Botev Plovdiv:

Marin bakalov.jpg

sábado, julho 07, 2012

No Verão nada melhor que um TANQUE

Tanque Silva,

Nome que passou por Portugal um pouco incógnito. Beira Mar em 2004-2005 foi a sua estação, talvez mesmo um apiadeiro nesta estrada de Tanque Silva que foi andar de clube em clube.

O certo é que depois do Beira Mar os grandes clubes tomaram conta desta Tanque.
Veléz Sarsfield, Newells, Fiorentina!! e Boca Juniors.
Tanque a mostrar que estava ainda pronto para a guerra. Nesse ano em 2004, Tanque Silva marcou 2 golos no Estádio da Luz na vitória do Beira Mar sobre o Benfica. Um Tanque a dar banho aos benfiquistas nesse jogo.
Terá sido das melhores vitórias de Luís Campos como mister.

Mas voltando aos dias de hoje, Tanque Silva, fez das suas. Após perder contra o Corinthians a final da Copa Libertadores... ficou com um iphone de ultima geração para ligar a um familiar no balneário...
muito bom esta ataque do Tanque!!



http://www.record.xl.pt/multimedia/videos/interior.aspx?content_id=766287#.T_eDHj7BwJk.blogger

quinta-feira, julho 05, 2012

Peluches para quando?

Desta foto abaixo há vários assuntos a realçar:

1 - As bancadas do Estrela eram giras.. vimos várias vezes as cores, as tintas... porque pessoas é que nada
2 - Confirma que o Estrela da Amadora era sem dúvida um aglomerado de perfis cromáticos.
3 - Abel Xavier ja tinha na sua camisola o objectivo da carreira. Passar por todos os continentes.
4  - O Vata em baixo ja protegia a sua mão divina e pousava-o no terreno ao contrário dos colegas. Devia ser para dar sorte no relvado durante o jogo!
5 - mas claro, como nao podia deixar de ser... ha 2 peluches que estão na foto. Hoje em dia algum clube leva um peluche?? naaaaaaaaaaaaaaao!!!!! mas está mal!! olhem so para a ternura do peluche Chalana. Que giro, cabelinho penteado para trásm bigode à maneira, um verdadeiro personagem do Duarte & Cª.
E sim, um peluche ao lado desse...vermelho, sentadinho..

Para quando o regresso de um peluche aos relvados nacionais?

Uma das imagens dos anos 90 que fica na memória:

3 -

quinta-feira, junho 28, 2012

E Depois Do Adeus


Beto também lá esteve, sim senhor. Fixem aqueles headphones.
A vida acabou. Em termos de Europeu 2012 e para a Selecção Portuguesa, bem entendido. O corolário: uma copiosa vitória moral, uma goleada da ilusão, um tiki-taka de azar. 

No que concerne aos resultados, este Europeu não ficou aquém do Euro-84, com o senão que os bigodes farfalhudos eram superiores em quantidade e qualidade nesse certame que já festejou as bodas de prata. Mas ficou acima do Euro-96, pese embora esse tenha contado com Porfírio, pelo menos na foto de grupo, e tenha sido aqui que se introduziu a bandeirinha portuguesa (não confundir com o Bandeirinha, já sobejamente impregnado na cultura bolística à época), então ainda muito timidamente a espreitar fora dos bolsos de António “O Bigode Fica-me Mesmo Bem” Oliveira para Sá Pinto beijar. Sim, era uma altura em que Sá Pinto ainda demonstrava gestos de carinho junto de seleccionadores e onde cabelos à tigela eram toleráveis. E este Euro-12 foi mais agradável que o cinzento Euro-08. Pecou, porém, por não ter um bode expiatório ao nível de um árbitro, como no Euro-2000, ou ao nível de um Ricardo, como no Euro-04. Resta-nos saborear esta derrota da melhor e mais inventiva forma possível, porque é com derrotas honradas que se constroem palmarés capazes de orgulhar toda esta nação. 

Façamos uma análise individual a alguns nomes deste Europeu:

Hugo Almeida – deu água pela barba. Evidentemente, não das defesas adversárias; a expressão deve ser lida literalmente: a sua barba parecia molhada. Suor, água ou cuspo do adversário, não sabemos.

João Pereira – ficou a dever a si mesmo mais um ou outro cartão amarelo. Poderia ter-se envolvido em mais picardias fúteis. Não foi o rufia do costume e até aceitou repreensões do árbitro sem referir com veemência a profissão da sua mãe. Uma desilusão.

Rúben Micael – uma postura impecável em todos os bancos por onde passou. Fossem eles no campo, no autocarro ou no avião. Testou com grande eficácia a ergonomia dos assentos. A rever.

Miguel Lopes – fez um tackle a destempo sobre o Quaresma. Tem um braço muito graffitado e outro por graffitar, o que lhe confere um aspecto de Igreja de Sta. Engrácia, ou seja, parece inacabado.

Quaresma – sofreu falta do Miguel Lopes e reagiu com um pontapé. Mas não um pontapé qualquer; foi um pontapé de trivela com uma ressonância acústica maravilhosa na caneleira de Miguel Lopes. Digamos que foi um pontapé digno da mítica camisola 10.

Hugo Viana – um trabalho de sapa a fornecer Powerade aos colegas, visão de jogo para saber onde colocar o colete e classe na forma como ajudou a carregar as balizas nos treinos. Foi injustamente menosprezado.

Custódio – o “wonder sub”. Quando foi preciso resolver nos minutos finais, Custódio disse “presente”, foi lá para dentro estancar hemorragias tácticas e, com sorte, provocar hemorragias nasais nos adversários. O estilo rendilhado do seu futebol construído de passes para o lado e para trás cativou as bancadas nos breves minutos em que pôde demonstrar o seu valor. Provavelmente, o jogador com o maior rácio faltas cometidas/minutos em jogo. 

Eduardo – fantástico. De longe, o melhor cantor de hino da Selecção. Todo ele alma, todo ele sentimento; Eduardo é o Alfredo Marceneiro que andávamos há bastante tempo à procura. Agora já só falta encontrar um ponta-de-lança. Uma lagrimazinha também não lhe teria ficado mal, ele que já provou ser um bom choramingas, mas pronto, não exijamos demais ao 3º guarda-redes. Curiosamente, também ficou em 3º nesta votação particular. Está claramente de parabéns.

Nélson Oliveira – ganhou a convocatória por ter um penteado mais parvo que o do Ronaldo e por ostentar umas orelhas maiores que dois Joões Moutinhos inteiros ou meio-rabo do Miguel (que é como o Miguel Veloso gosta de ser tratado). É uma estrela meticulosamente preparada pelos marketeers, sendo neste aspecto como a pescada: antes de o ser, já o era. Marcou menos golos que o Postiga e rematou menos que o Hugo Almeida, o que por si só pode destruir um currículo, mas toda a sua equipa de promoção irá ignorar este facto.

Rolando – Rolando? Ah, nós queríamos era falar do Ronaldo… Sobre gente estranha à Selecção não nos pronunciamos.

Ronaldo – não, afinal não queremos falar do Ronaldo, seria demasiado “trendy”. O Messi que fale dele, se quiser.

Bruno Alves – o eterno fascínio pelo contacto físico à laia de uma locomotiva descontrolada, pelo salto com apoio ilícito, pela bofetada extemporânea na tromba do oponente, pela pisadela involuntária-mas-que-podia-ter-sido-evitada-com-mais-cuidadinho nas virilhas do tipo que está no chão e pela proliferação do palavrão. Como o mais velho dos jogadores, deu o exemplo.

Raul Meireles – a grande figura da Selecção. Em termos de profusão estilística, claro: ele é óculos escuros vistosos, enorme densidade de tatuagens, barba por fazer, capuz na cabeça à saída do autocarro mesmo à xunga e, como cereja no topo no bolo, a maior demonstração de vedetismo contemporânea: os headphones vermelhos gigantes pendurados no pescoço. Este tema merece um subcapítulo à parte.

OS HEADPHONES VERMELHOS
O adereço em causa - os chamados "Monster Beats". Aproveite já você também!

Nas oportunas e sempre pertinentes reportagens do Nuno Luz, foi possível vislumbrar um denominador comum: elevados índices de vacuidade. Pronto, dois denominadores comuns: a vacuidade e os headphones vermelhos gigantes portados pelos jogadores. Rivais dos headphones utilizados por profissionais de estúdio, estes headphones tornaram-se extremamente populares entre as vedetas de bola, destronando os outrora “must bes” da moda das estrelas que foram, por exemplo, as pochetes e as madeixas. Um jogador consagrado da Selecção ir a algum lado sem estes headphones, em geral colocados em descanso no pescoço, parece hoje quase tão irreal como o Ronaldo jogar sem o cabelo completamente grudado. Os headphones vermelhos estão para a vedeta como a tatuagem de “Amor de Mãe” está para um ex-combatente no Ultramar.

Porque são tão grandes? Não sabemos. Talvez possuam uma potência assombrosa e proporcionem uma sensação de conforto muito agradável nas orelhas. Mas deve ser para replicar o fenómeno estético dos grandes tijolos que fizeram furor na comunidade hip-hop. Porque são todos vermelhos? Ignoramos. Pode ser uma questão de marca ou pode ser para combater a escassez de benfiquismo na Selecção. Se funcionam efectivamente enquanto ponto de escuta? Não conseguimos afirmar. Mas também não interessa; o que importa é que funcionam como adereço e o facto de possuir uns headphones vermelhos gigantes pendurados no pescoço é um genuíno grito de vedetismo. São um “statement” de afirmação em si mesmos. E depois, para bem da saúde dos próprios headphones, sempre é melhor aconchegar-se num pescoço qualquer, mesmo o imbuído de pura ruindade como o do Pepe, do que aturar a pimbalhada musical que tanto agrada ao jogador de futebol debitada a decibéis impróprios. E depois, dói só de imaginar a quantidade de cera acumulada nas cavidades auriculares e a extracção da mesma por intermédio duma unha dum, sei lá, Ricardo Costa qualquer.

Quem não se adapta a estas novas realidades sofre as consequências. Por exemplo, vimos numa dessas reportagens o Rui Patrício sentado ao lado do João Pereira no autocarro, utilizando uns headphones finíssimos de iPod, desgarrados de todo o ambiente, minimalistas, brancos, quase imperceptíveis. Patrício, bronco como sempre, não suspeitou de nada, sorriu para a câmara e carregou no “play”. Ao seu lado, João Pereira gozava com o caricato da situação, quase rebolando no banco ao aperceber-se do óbvio. Virou-se para Patrício e, com a eloquência que o caracteriza, deve ter-lhe dito qualquer coisa como, “ó meu ******, ****-** que essa ***** desses phones já não se usam, ********! ****-**, que estou ****** com este ************, ó ********!.... Se queres ouvir som, vai mas é lá para trás, ó ********* que te ****, **********! ********, **** de ******, *********!”, que obviamente não foi reproduzido. Mas Patrício não percebeu o alerta, empenhado que estava em ouvir o seu Jay-Z, Jessie J ou Zé Cabra e ficou a dar mau-aspecto o resto da viagem. 

Patrício tem potencial, de facto. Mas só se tornará numa estrela internacional e concretizará uma transferência digna de Roberto se começar a usar uns headphones vermelhos publicamente. Porque doutra forma nunca será visto como um grande jogador e será apenas um pacóvio que gosta de ouvir som. E para ouvir música estão os gajos na bancada com os seus headphones corriqueiros. É verdade, o hábito faz o monge e os headphones vermelhos fazem um jogador.
O efeito dos headphones vermelhos.

quarta-feira, maio 23, 2012

Assim Se Faz História


As competições profissionais nacionais findaram e com elas a pequena réstia de sanidade que mantinha todo o povo da bola minimamente controlado.

Agora vem a pré-época e com ela todo um tsunami especulativo que promete gerar expectativas histéricas no já de si mui impressionável adepto. É tempo de dar largas à imaginação, tirar fotografias parvas e imprimir títulos que, por qualquer critério remoto, ficarão para a História.

Com base nas experiências passadas, colocámos à disposição um pequeno inquérito na barra lateral para os nossos apaniguados. A ideia é tentar demonstrar que também conseguimos adivinhar coisas sem termos tantos tentáculos como o simpático polvo Paul. E também utilizar uma ferramenta do Blogger que tem sido marginalizada por nós, à laia de um Cebola qualquer desta vida.

São também experiências de defesos passados que queremos partilhar de forma sucinta convosco.
Em 30 de Junho de 2007, Sreten Sretenovic colocou a fasquia bem alta: iria mostrar valor. E “lá dentro”. Mas onde seria “lá dentro”? Dentro de sua casa? Dentro da sua cabeça? Dentro da loja do Benfica a vender camisolas do Bergessio em promoção? Uma incógnita que ainda hoje não foi resolvida. Estes jornalistas d’”A Bola” foram, aliás, as últimas pessoas deste mundo a ver o Sretenovic por mais de cinco minutos. E, obviamente, Sretenovic, esse motor de sonhos a gasóleo, não poderia mostrar valor em tão pouco tempo. Nem valor nem outra coisa qualquer.
Mais modesto, Valeri assumiu em Julho de 2009 que o máximo que almejava por terras lusas era apanhar uma valente carraspana de caixão à cova. O ar tresloucado que aparenta empresta total credibilidade à sua intenção. Também admitiu que sabia dizer uma palavra concreta em português, mas, lamentavelmente, foi logo uma palavra impronunciável no Dragão nessa temporada. Pedro Emanuel e o sorridente prof. Jesualdo, como tipos porreiros, começaram logo a pagar rodadas à vez e a cantar “e se o Valeri quer ser cá da malta, tem que beber esse copo até ao fim” e blá-blá-blá. A bebedeira foi enorme. Há quem diga que já ninguém sabia distinguir o Valeri do Prediger, tal o encharcanço, mas isso é exagero: ninguém conseguia dizer quem era quem mesmo no estado sóbrio.
Em Maio de 2010, era Paulo Sérgio a prometer que não iria ficar em 2º lugar. Eis, finalmente, uma profecia que se cumpriu: ele ficou em 3º. Quer dizer, ele não, que entretanto foi tourear para outros lados, ainda o 3º lugar era uma miragem, mas a equipa que orientaria durante sensivelmente meia-temporada. Não satisfeito, Paulo Sérgio, com a coragem que o caracteriza, avançou que “não viria para encurtar distâncias” – e, de facto, não encurtou, como atestam os 36 pontos finais de atraso para o campeão. E para completar o ramalhete, na mesma frase põe uma vírgula e ameaça “[venho] disputar o título”. O que também é verdade – eu próprio, em amenas tertúlias, disputo títulos amiúde com os meus confrades, seja do maior devorador oficioso de tremoços, seja da bisca lambida. Ou seja, Paulo Sérgio disputou um título, não de futebol, mas, sei lá, do forcado que percebe mais de bola do concelho de Lisboa ou qualquer coisa do género. Portanto, eis um exemplo de como até capas inicialmente tidas como absurdas poderão vir a concretizar-se. Mesmo na silly season.

sexta-feira, maio 11, 2012

Voo de Ícaro


Ricardo Sousa. Houve um tempo em que parecia que os anjos da fortuna lhe tinham batido à porta. Regalou-nos com aquele jeito especial de bater livres. Surpreendeu-nos com aquela marotice original de bater na mulher. Porém, os atrasos insuportáveis na sua afirmação comprometeram o plano. A sua carreira acabou por bater de frente contra um muro de adversidades. Nunca mais recuperou. Era batida a mais. Ricardo acabou por bater ele próprio no fundo. Mas esteve nele, por breves instantes, toda a esperança de uma nação na sua demanda pelo novo “Nº 10”. Um pequeno Maradona à escala lusa. Um Rui Costa menos choramingas. Um Deco mesmo português. Porque o povo gosta destes senhores altivos do meio-campo ofensivo que definem os jogos com a sua indolência, os tais que se permitem alhear por largos minutos dos jogos para depois aparecerem num livre, num passe, numa cotovelada que nunca poderia ser sancionada pelo árbitro. Porque não é justo. Não é, Aimar? O herói não pode ser vilão, senão a história não é boa porque não tem heróis. E tem de haver uma moral. Senão os meninos ficam confusos, choram e depois ninguém se quer levantar da cama para os fazer calar.
Pois é, pensou-se que o Ricardo Sousa podia ser este novo herói, mas nicles.

Quando falamos em nº10 que desapareceram pelas veredas ínvias do deslumbramento, também nos lembramos de Rui Baião. Rui Baião foi, para quem não sabe, a grande promessa das camadas jovens benfiquistas no doloroso período pós-Maniche. Ele e o Pepa, com o Cândido Costa à espreita. O Toy veio depois. Ele e a Sónia Brazão com mais uns travestis. Esperem, era só mesmo o Toy. Estava a confundir o Benfica com um programa de entretenimento para as massas, como é possível? Bom, Rui Baião não fez nada de especial pelas bandas da Luz e nem sequer mereceu as parangonas prematuras de colossos na apreciação de jogadores, por exemplo d’“A Bola” – que chegou a jurar que Makukula era a estátua do Eusébio com vida –, o que, desde logo, lhe augurou dificuldades que efectivamente se viriam a confirmar. Ainda assim, Rui Baião tinha a pose e a mentalidade petulante que eram necessárias para um óptimo nº10. Faltou-lhe qualquer coisa para explodir. Quem sabe, um je ne sais quoi, que é como os franceses dizem “jeito”.

Pode parecer estranho, mas o ponto alto da carreira de Rui Baião aconteceu mesmo antes desta começar. Ou seja, Baião ainda era formalmente um júnior. Está agora a fazer 14 anos. Maio de 1998. Foi tipo um Maio de 68, mas 30 anos depois: a euforia da Expo, a antecipação de um Campeonato do Mundo no qual não estaríamos presentes, os últimos dias do escudo enquanto moeda não irrevogavelmente indexada ao euro, quando tudo o que conhecíamos de séries nacionais de adolescentes era os “Riscos”. Enfim, tempos moderadamente agitados.
Foi neste contexto que os Iron Maiden lançaram o seu 11º álbum de originais, apropriadamente intitulado “Virtual XI”, embarcaram na sua DCLXVIª tournée e visitaram Portugal. A grande inovação desta tournée (“inovação” e “Iron Maiden” são conceitos que, em conjunto, devem ser manuseados com extrema precaução) foi a apresentação de um equipamento de futebol Adidas desenhado por medida para os Iron Maiden; um fatiota bem catita por sinal, atendendo à matriz de gostos em vigor naqueles últimos suspiros do séc. XX. Tinha a sua lógica: 11º álbum, “Virtual XI”, onze tipos equipados, uma equipa de futebol. E então, em Portugal, os Maiden seleccionaram o Benfica para um jogo-paródia, um evento muito mais social que desportivo, mas que foi levado a peito por Baião e que ainda hoje ocupa a maior fatia do seu coração.

Foi um verdadeiro tira-teimas entre o enfant terrible (que é como os franceses dizem “puto estúpido”, uma forma que demonstra todo o savoir-faire que os franceses têm para estas coisas – e “savoir-faire” seria, em bom português, “este tipo de cenas que se faz bem sem saber porquê”) Rui Baião e a besta Eddie. E o resultado foi vistoso. Uma batalha de titãs, cheia de golpes sujos, sangue e esgares algures entre o maléfico e o aparvalhado. O ambiente estava tão de cortar à faca que podia ter inspirado mais um épico dos Maiden, para colocar no final do alinhamento do próximo álbum, tipo “Murders In The Stadium Of Light Morgue”. Baião envolveu-se num tête-à-tête com Eddie pelo domínio do meio-campo. A partida inteira num tu cá/tu lá bastante bravo. Ora saía um solo do mostrengo, ora saía uma finta curta do pequeno infante. Ao assistir a esta luta sem tréguas, o público nas bancadas manifestava-se, com headbangs ou sacudindo bandeiras rubras, sentindo os níveis de adrenalina a atingir o estado de ebulição. A besta hedionda contra o príncipe encantado. A técnica da força contra a força da técnica. Homens grandes contra grandes homens. A beira da estrada contra a Estrada da Beira. Nunca o futebol foi tão gótico nem o heavy-metal tão redondo.

Talvez esteja a exagerar; Baião começou no banco e o Eddie foi comprar roupa ao shopping e não jogou. Não houve armas brancas nem efeitos pirotécnicos. Não se viram tampouco instrumentos musicais, se exceptuarmos o teclado bocal do Mozer. E nem sequer foi um jogo muito bem disputado. Mas foi o resultado mais avultado do Benfica dos últimos 15 anos: 10-1. Deveria estar escrito algures que, de modo a manter a coerência com a simbologia do nº11, teria de haver 11 golos… e assim foi, depois de uma primeira parte equilibrada. O Benfica teve sorte. Dos Iron Maiden só jogou o Steve Harris, ele ainda por cima andava em baixo de forma e os roadies que os substituíram tinham demasiada bebida no buxo para correrem, mesmo que fosse para correr atrás do Shéu. Se o Bruce Dickinson estivesse lá, com certeza que as coisas teriam sido diferentes.

No final, para a posteridade, fica a mescla entre o bigode típico português e o heavy-metal britânico, entre as panças de tintol e as barrigas de gin, entre a guedelha experiente de Harris e o jovem cabelo à tigela de Baião. Baião que, sendo uma águia, voou na sua carreira como Ícaro: directo ao sol para cair no mar do anonimato.

sábado, maio 05, 2012

Requiem à União

Esta é a história de uma formosa moça chamada União,
que cresceu bela e segura enquanto lhe deram a mão.
Porém, seu fim revelar-se-ia trágico,
violentada e espancada num processo autofágico.

União, quem te desejou mal e porquê?

Quem terá sido o Paco Bandeira da tua jornada final?
Hoje é 1º de Maio e tu és um iogurte num Doce Pingo brutal,
um elefante numa caçada do Rei de Espanha,
um comentário acre do João Querido Manha.

Agora que o Sol se escondeu cobarde atrás das carregadas nuvens da memória,
quem outrora te viu altiva e cheia de esperança ficou para contar a história.
Pena é que não tenha sido tanta gente quanto isso,
no estádio só havia 2 gajos, uma esfregona e um macaco com bigode postiço.

Mas é para recordar os dias de glória que aqui estamos,
firmes e hirtos como o Reinaldo na pequena área.
E a sua falta de mobilidade? Que bela recordação!
Pelo menos tinhas o Dinda para te safar com o pé-canhão.

Ecoava seco o disparo do projéctil poderoso,
o castelo da Cidade do Lis olhava orgulhoso,
enquanto Fua sacava rolhas nos extremos do relvado,
e o Mário Artur tinha um olho para cada lado.

Sim Mário, não eras bonito!
...mas a União ainda tinha algum guito!
Pelo menos o suficiente para construir uma sociedade das Nações,
com Argentinos, Brazucas, Palancas e até Alemões.

Olhava-se em frente para o IV Reich,
ao leme o Führer Michael Kimmel.
O boche que jogou no Bidoeirense um dia,
e até escreveu artigos sobre homofobia!

Mas Leiria não era cidade para maricas,
que o diga Tahar, o Khalej.
Bravo guerreiro Mouro de barbaridade desnecessária,
que tingia relvados de escarlate de grande-a-grande área!

Escarlate era também a cor do teu cartão preferido,
Tahar de cimitarra na mão apanhado desprevenido.
Se tu espalhavas terror pelo nosso Portugal,
com Gervino todos os dias eram Carnaval.

Ar de mosqueteiro, galã infalível sem eira nem beira.
Engravidaste a União com o teu charme de escudeiro.
Acabaste a pontapear couro na U.D.Caranguejeira,
mas eras leiriense de corpo inteiro.

Porém, União...de corpo e alma só tinhas um filho,
nascido do teu ventre, líder aguerrido.
Bilro, grande capitão! Quantas saudades deixas!
Pelo Lis conduziste a Nau com impecáveis madeixas.

Reza a lenda por aqui e ali,
que em noites de nevoeiro e completo silêncio,
ainda se escuta o roufenho Vítor Manuel a clamar por ti:
"Ó Bilro! Bilro! Vira o jogo, caralho!"
..."dá cá a bola, que eu não falho."
Resposta pronta de Bertolazzi,
rápido no gatilho!
nem por isso certeiro no remate,
mas tinha uma namorada boa como o milho.

Quem gostava de milho era o Bambo,
que se comportava como uma galinha.
corria de um lado para o outro,
mas não fazia nada que jeito tinha.

Quem tinha jeito era o Poejo,
pelo menos era o que se dizia.
não ficou na memória pelo futebol jogado,
mas sim porque gajos chamados "Estalagem" não há em todo o lado.

Havia ainda a cremalheira do Hugo,
eterna esperança do nosso futebol,
e o estóico keeper Miroslav Zidnjak,
que tantas vezes nos fez soltar um "LOL".

Mas se falamos de esperanças cristalizadas no tempo,
temos no veloz Porfírio um grande exemplo.
Em '96 defendeste a honra das Quinas no Europeu.
e sempre foste o leiriense que mais prometeu.

De promessas porém,
está o inferno cheio, se bem me lembro.
Tamanho foi o desperdício de talento,
que andaste pelo 1º de Dezembro.

Quem nasceu em Dezembro foi o bravo Ayew,
grande amigo do Maxwell Konadu,
a quem convenceu a cortar as rastas,
para melhor agradar a Jesú.

Agora Kwame falha golos na baliza do Senhor,
e corre desenfreadamente para a linha do Juízo Final,
tudo porque um dia terá decepado as icónicas rastas,
para afastar os espíritos do Mal.

Quem não queria nada com Deus era Quinzinho,
segunda reencarnação de Bambo.
Trôpego e pouco eficaz,
muitos anos a virar frango.

De frangos percebia o Ádamo.
Ádamo ou então Adamô, visto que o homem era francês.
Personagem secundária, é verdade,
mas sempre o achei cómico, façam-me a vontade.

Mais tarde chegaram Duah e Paulo Vida,
que fizeram disparar o coração da União querida.
Dois impecáveis e codiciosos cruzados,
goleadores de créditos firmados.

Leiria era já uma colónia ganesa.
Duah, Edusei, Ahinful e quejandos,
eram entrada, prato principal e sobremesa!

Mas o melhor fica sempre para o fim,
e depois de uma opípara refeição,
nada melhor que um digestivo para nos aquecer o coração:

Nii Lamptey, estrela internacional!
O Pelé ganês, o fenómeno que sairia no jornal!
Luzes, câmara, acção!
...parece que a película queimou, mas fica a intenção.

Petar Krpan, Nosferatu dos balcãs! Goleador de papel!
Em 72 jogos pela União, por 10 vezes molhaste o pincel.
Apesar de precisares de 650 minutos para marcar um golo,
és recordado com nostalgia por pareceres um ovo cozido com pés de tijolo.

Ano da Graça de 2001, arriva Baltemar Brito e seu treinador principal,
e com eles nasce no esqueleto leiriense uma espinha dorsal.
Futuro Campeão Nacional, Europeu e Mundial!
Hossanas a Derlei, Nuno Valente, Maciel e ao resto do pessoal!

Porém tudo o que é bom acaba depressa,
Baltemar cedo parte para Norte, levando consigo seu treinador principal, homessa...

Doce recompensa, União! Deixaram-nos o Aguiar!
Arma de destruição maciça, com ele podemos conquistar o planeta.
Tíbia, perónio, fémur? Não há barreiras que detenham o tanque!
No 11 adversário não há quem não manque!

União, moça orgulhosa, de queixo levantado!
Ao som do violão de Hélton dança Douala,
Edson chuta de longe e Hugo Almeida cabeceia ao lado,
João Paulo distribui porrada, pois Aguiar já não mora cá.

Otacílio quer a Taça dos Nomes Invulgares,
mas nem lhe chega a pôr a mão - esta é de Torrão.
Geufer berra ao longe: "Pô, também quero ser campeão!"
Fábio Felício sorri de soslaio e cospe para o chão.

Não desmoralizes, União! Ele dribla em círculos, tropeça sobre a bola...
Eis que chega Ivanildo, o esquerdino genial!
...que não vê a desmarcação de Slusarski,
mas tem um ar simpático, ninguém lhe leva a mal.

Lembram-se do Gana e seus boys?
Pois é a vez do Burkina Faso trazer os seus toys.
Ele é Tall, é Mamadou,
veio igualmente um Saïdou.

O Saïdou quantas sílabas tinha?
Eu conto seis, e sei ao que vinha.
Seu nome era Panandétiguiri e sete consoantes ao vento soprava.
Vogais eram sete também, número perfeito jurava.

Por esta altura era de magia que viviam os 4 adeptos da União,
Pois lá na frente pontificavam Cássio e Carlão,
com o Cowboy zambiano Rainford Kalaba,
apontando com mestria de pistola na mão.

Reserva-se um verso para um sucedâneo,
material contrafeito de feira alguma,
Zahovaiko queria ser Zlatko mas nem sequer era conterrâneo,
tal como Pluma nunca será Puma.

Keita, esse, foge com 6,000 batatas numa mala,
qual concurso do António Sala,
ah,espera! Afinal já não gamou nada,
a personagem nem sequer tinha vindo equipada!

Sem bolsos nas calças,
sem carteira no bolso que afinal não tinha.
Mas então em que é que ficamos?
Só sei que em '99 jogou cá o Pinha.

Batendo recordes jogando só com oito,
levando quatro secos do Feirense sem molhar o biscoito,
Com menos três jogadores em campo também se faz magia,
mais vale só, do que com má companhia.

Assim se fecha o livro desta estimada donzela,
União, foste açúcar em pó e foste canela.
Já não há graveto para sobremesa,
Até sempre, que a SAD está tesa.

sábado, abril 07, 2012

Afinal quem é o Major?

Desde a minha tenra infância que sempre que ouvi falar em Major, estavam a referir-se a este senhor:



eh pá, que grande momento televisivo este..!
Mas afinal, o Major é outro.
Quem é que nunca ouviu falar do Major, que era o "maior" do Maia nos anos 90? Pois é, 12 épocas seguidas no Maia. Deve ser recorde do clube.
Um pêndulo no meio campo, como hoje já nao há.
Sempre titular, mais de 30 jogos por época e sempre muitos golos.
Com tantas épocas no Maia só podia ter um curriculum de companheiros inesquecível: Phil Walker , Miguel Barros, Bock, o inolvidável Parfait, Moreira de Sá, Rogério Matias, Fernando Aguiar, Lim ou mesmo Zacarias! Que balneários devem ter sido.




Pois é, mas como tudo tem um fim , Major saiu do Maia em 2003, com 33 anos. Os Dragoes de Sandim foi a paragem seguinte, Trofense, Rebordosa, Fão e até o Feignies de França! Major à procura de ser "El Major".
Em 2009, ja com 38 anos, poder-se-ia pensar que Major iria pendurar as botas. Mas qual quê?! Pendurar nada!! Alpendorada tudo! 2 épocas nesta equipa à beira rio.
E ainda hoje, Major joga, com 40 anos! sim, 40! No Santo Eugénio, equipa de futsal. Ah pois é, com Major nao ha fim
Afinal quem é o maior? O MAJOR!



P.S. Cromos da Bola irá ainda investigar se Major é também relacionado com a Majora... a ver vamos

domingo, abril 01, 2012

Quatro Quartos

“Isto está mau, está…”. Quantas vezes nós já ouvimos este queixume?
Tudo é relativo.
Está mau?
Não, ESTA é que é a ocasião certa para dizer “está mau”:

Estávamos em 10 de Abril de 1983, jornada 25 do campeonato. Dilúvio de proporções bíblicas no quintal de Vidal Pinheiro. A casa do Salgueiros. Sem relva. Sem cobertura. Sem bancadas. Apenas um mar de chapéus-de-chuva em redor dos muros cerceados com arame farpado ferrugento e uns prédios à ilharga. Aqui jogava-se futebol de primeira divisão, com abnegados profissionais meio-futebolistas, meio-comandos. O oponente: o fugaz Alcobaça, o Felgueiras dos anos 80 no que à divisão-mor concerne. Isto era o nosso futebol de primeira, a duas décadas de distância do Euro 2004. Onde mesmo as marcações do campo pareciam imaginárias, havia guarda-redes chamados “Barradas”, contusões e caneladas com fartura e onde discernir um golo ao longe assemelhava-se à árdua tarefa de encontrar um sapo num charco em forma de campo de futebol. 
Agora está mau? Pois sim. Quem lhes dera uns equipamentos tão janotas como os da Olympic em 1996. Era como tirar um saco de serapilheira ensopado de cima para vestir um prêt-à-porter parisiense. Quem lhes dera um Adelino Ribeiro Novo em 1991. Era quase como mudar-se de um T2 na Arrentela para um T3+1 na Lapa. 
Tudo neste filme de terror disfarçado de resumo de jogo de futebol assume proporções cataclísmicas, denota-se um esforço sobre-humano para resistir ao caos daquele jogo tornado batalha. Há um enorme suspense até descobrir quem vai perder uma perna no lamaçal ou quem irá rebolar pelas encostas contíguas ao campo até bater com a cornadura no muro cá em baixo. Até o comentário ao resumo é confuso e dessincronizado, admitindo logo ao início que “as condições eram muito más”.
Era assim em 1983. Parecia tudo tão diferente, mas afinal o FMI também por cá andava, tal como agora.

Podia dizer-se, “ah e tal, mas aposto que os grandes não engoliam esses grupos, mudavam logo um jogo desses para a Maia ou para Torres Novas ou para o Algarve e furtavam-se aos pelados”. Mas nem por isso.
Estávamos em 18 de Janeiro de 1987 e jogava-se os dezasseis-avos de final da Taça de Portugal. O recinto: Campo Engº Carlos Salema, em Marvila, Lisboa, casa do Oriental, o grande rival do Atlético para saber afinal quem é o 4º grande lisboeta. Uma caixa de fósforos na Azinhaga dos Alfinetes toda engalanada neste dia. Alegria e emoção numa tarde solarenga de Inverno, com bancadas, colinas, postes de iluminação, casotas abandonadas e varandas todas repletas, nem o Gabriel Alves resistiu ao encanto da Festa da Taça. O Oriental, embora mais habituado a derbies de grande fervor com o SL Olivais, Olivais e Moscavide e Sacavenense, militava na antiga II Divisão que então fazia cócegas à I Divisão e recebia o venerado Sporting de Peter Houtman, Oceano e Virgílio. Quase que havia tomba-gigantes. E também houve um grande tombo, mesmo em cheio no pó de Marvila. E não foi um artista qualquer. Foi Mozart, o génio da música a estatelar-se ali num espaço não marcado, raspando os joelhos na gravilha em busca da derradeira sinfonia do penalty. O árbitro não tinha bom ouvido nem bom olho. Apontou livre. Quim não se fez rogado e escreveu um pequeno hino ao futebol direito por linhas que não existiam, compondo assim um “minor hit” para a popular agremiação lisboeta. Que saiu de cabeça erguida – mas não muito, que aquelas vedações também não eram muito altas.

Pegando no Sporting e avançando mais um ano, é com prazer que assistimos à apresentação da equipa para a época 1988-89, o Verão de Jorge Gonçalves. Neste trabalho quase familiar de Miguel Prates, que passeia-se quase despercebido por balneários e em redor de vários homens em tronco nu, é feita uma descrição individualizada das famosas “unhas do leão”: o bigode convicto de Carlos Manuel, a timidez de Miguel, a natural surpresa de Rui Maside, o estilo mariachi de Rodolfo Rodriguez, a boa onda de Douglas e a ambição de Silas. Lamentavelmente, Eskilsson, que já tinha sido apresentado há algum tempo, atrasara-se. Mas ainda assim, todo o contexto é muito bom. Há calças às riscas, pólos inenarráveis e um desfilar de meias brancas sem paralelo; um parque automóvel composto por Nissans Datsun, Opéis Kadett e Renaults 5; a figura do “supervisor”; o bigodão sapiente do preparador-físico Roberto Portela; e, last but not least, Jorge Gonçalves himself a exortar o plantel a passar na secretaria para receber os seus contos de réis em atraso e a comunicar publicamente e in promptu a estratégia do clube em termos de gestão de tesouraria, tudo com uma frontalidade desarmante.

Também neste Verão, Aveiro voltava a respirar os ares de primeira. Silva Vieira faz de nosso cicerone na viagem ao mundo encantado do Beira-Mar 1988-89. Alinha os reforços e apresenta-os um-a-um. Vamos poupar-vos a detalhes; vejam vocês mesmos a autêntica passerelle de moda bem típica dos anos 80 em pleno Mário Duarte. Só vos avisamos que tem o Paquito, o Barradas que vimos ali em cima a enlamear-se pelo Alcobaça e um jovem Zé Ribeiro, entre outros exemplos de mau gosto estético francamente embaraçosos nos dias de hoje, dominados que estamos pela cartilha de “gel + tatuagens + mostrar as boxers por trás = muito cool”. Mas não tem o Abdel Ghany, o 1º egípcio a sair de casa, e logo um super-egípcio, segundo o presidente babado; nem o Bira/ Vira, um avançado que promete trocar os olhos aos defesas mais do que Silva Vieira troca as consoantes. Contas feitas, qualquer estilista que veja este vídeo pode ter pesadelos durante vários dias a fio.

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